Através da Pronicol e da Unicol (União de Cooperativas da ilha Terceira e Graciosa), o Grupo Lactogal lançou um projeto-piloto pioneiro que visa alterar profundamente o modelo de pagamento e a valorização do leite na Ilha Graciosa.
A partir de hoje, e pela primeira vez no arquipélago, a matéria-prima deixa de ser remunerada exclusivamente com base no volume entregue e passa a ser valorizada em função do seu destino industrial – neste caso, a produção de queijo Ilha Graciosa da marca Milhafre dos Açores.
Com a duração de quatro anos (2026-2030), este modelo introduz um sistema de pagamento que permite que a remuneração aos produtores deixe de estar dependente, apenas, da quantidade de leite entregue e passe a premiar diretamente a concentração de sólidos úteis (proteína e gordura) que determinam o rendimento real na produção de queijo.
Este modelo, que poderá vir a ser replicado noutros territórios da Península Ibérica, vai permitir acompanhar a evolução das unidades produtivas através de apoio veterinário, nutricional e de maneio, financiado pelo Grupo Lactogal.
Os produtores que aderirem voluntariamente ao programa recebem, além do preço base recalibrado, o Prémio Milhafre (um bónus fixo de +1,00 cent/kg), bem como ferramentas de digitalização, formação e assistência técnica para as suas unidades produtivas.
Uma aliança pelo futuro dos Açores
Este projeto visa assegurar o futuro da produção de leite na Graciosa, criando um modelo de negócio mais rentável e atrativo que incentive as novas gerações a permanecer na atividade.
O objetivo é impulsionar um novo ciclo de sustentabilidade para o setor, travando a tendência de abandono ou de reconversão para outras áreas.
A ilha Graciosa foi estrategicamente escolhida para o arranque deste piloto devido à escala controlada, à forte tradição queijeira e à relação de grande proximidade entre a produção local, a cooperativa e a unidade industrial da Pronicol.
"No ano em que celebramos 30 anos, reafirmamos o nosso compromisso com os Açores através de ações concretas. O futuro do leite açoriano não passa por competir em volume com a Europa, mas sim por liderar no valor acrescentado, na sustentabilidade e no orgulho das comunidades que lhe dão origem. A Graciosa é o ponto de partida desta transformação", afirmou José Marques.
Perspetivas de expansão para a Península Ibérica
Embora comece na Graciosa, enquanto projeto focado na pequena escala e na identidade territorial, a ambição do Grupo Lactogal e dos seus parceiros vai muito além das fronteiras da ilha.
A Graciosa funcionará como um verdadeiro laboratório de inovação territorial e de sustentabilidade.
Caso o modelo demonstre eficácia na melhoria do rendimento dos produtores e no aumento da qualidade do leite para transformação, planeamos replicar e expandir esta metodologia de valorização noutras zonas dos Açores e, eventualmente, noutros territórios da Península Ibérica.